quinta-feira, 19 de maio de 2011

Eletromecânica também funciona em nanoescala

Redação do Site Inovação Tecnológica - 19/05/2011
Eletromecânica também funciona em nanoescala
Um nanotubo de carbono vibra como uma corda de violão. Essas oscilações influenciam as propriedades do sistema se um campo magnético (H) for usado para acoplar o movimento mecânico do nanotubo com a corrente elétrica que passa através dele.[Imagem: Gustav Sonne/University of Gothenburg]

Físicos da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, demonstraram que os princípios eletromecânicos - largamente explorados em equipamentos à nossa volta - são igualmente válidos em escala nanométrica.
Isto vai permitir a miniaturização ainda maior de dispositivos como os acelerômetros que acionam os airbags de automóveis ou os giroscópios, que já equipam até alguns telefones celulares, entre várias outras possibilidade
Mas, principalmente, vai permitir a  incorporação de nanoestruturas - como os nanotubos de carbono, os nanofios ou mesmo as folhas de grafeno - em dispositivos que poderão ser controlados ou controlar equipamentos eletrônicos de uso diário.
Mecânica quântica e mecânica clássica
Embutidos no conforto do nosso dia-a-dia, já usamos uma série de componentes microeletromecânicos - os chamados MEMS - na forma de bússolas, acelerômetros, sensores e diversos outros.
A descoberta agora abre caminho para os NEMS (NanoElectroMechanical Systems: sistemas nanoeletromecânicos).
O que todos esses minúsculos aparelhos têm em comum é que eles combinam propriedades mecânicas e eletrônicas, a fim de reagir a estímulos externos.
A descoberta dos pesquisadores suecos não apenas abre a possibilidade de que esses equipamentos sejam reduzidos à dimensão nanométrica, como também garante que as propriedades dos materiais em nanoescala, governados pelas leis da mecânica quântica, sejam diretamente exploradas por aparelhos em escala macro, governados pelas leis da mecânica clássica.
Eletromecânica também funciona em nanoescala
Materiais em nanoescala, governados pelas leis da mecânica quântica, poderão ser diretamente acoplados a aparelhos em escala macro, governados pelas leis da mecânica clássica. [Imagem: Gustav Sonne]
Usos imediatos e futuristas
Essas máquinas nanométricasviabilizarão a construção de sensores capazes de fazer medições com uma sensibilidade sem precedentes - por exemplo, nano-osciladores ultra-sensíveis, capazes de detectar massas até mesmo de moléculas ou átomos individuais.
Isso pode ser altamente interessante para o mapeamento dos spins dos elétrons e dos núcleos atômicos, o que, por sua vez, pode ser usado em aparelhos de ressonância magnética com uma resolução sem precedentes, na substituição da eletrônica pela spintrônica ou em computadores quânticos.
Nano-oscilador
A razão pela qual esses sistemas em nanoescala são tão sensíveis a estímulos externos advém basicamente das suas dimensões diminutas.
Normalmente, a frequência com que um ressonador mecânico oscila varia inversamente com as suas dimensões. Ou seja, diminuindo o tamanho do oscilador implica em aumentar a frequência mecânica.
Ao passar da dimensão dos MEMS (micro) para a dimensão dos NEMS (nano) é possível atingir frequências de até 10 GHz, o que gera respostas muito rápidas a forças externas.
Os pesquisadores usaram nanotubos de carbono em seus experimentos, demonstrando a sua possibilidade de combinar com a física clássica as propriedades únicas dessas nanoestruturas.
Bibliografia:

Mesoscopic phenomena in the electromechanics of suspended nanowires
Gustav Sonne
May 2011
http://gup.ub.gu.se/gup/record/index.xsql?pubid=139172



quarta-feira, 18 de maio de 2011

Nanolaser sólido ajudará internet a economizar energia

Redação do Site Inovação Tecnológica - 18/05/2011
Nanolaser sólido ajudará internet a economizar energia
Em cima, diagrama mostrando o fluxo de corrente na cavidade (setas azuis) e a fuga de corrente através dos espelhos do cristal fotônico (setas amarelas). Embaixo, o mapa da fuga de corrente dentro do dispositivo.[Imagem: Ellis et al./Nature Photonics]
Em 2005, duas pesquisadoras criaram um novo tipo de laser para telecomunicações mais rápido e mais eficiente.
Mas o que era rápido e eficiente para os padrões de seis anos atrás não vale mais para hoje - os lasers são essenciais na transmissão dos dados digitais que estão na base do funcionamento de toda a internet.
Felizmente, a Dra. Jelena Vuckovic não abandonou a área, e acaba de apresentar um upgrade significativo para o seu nanolaser.
Laser de cristal fotônico
Jelena e sua equipe trabalham com um tipo de laser chamado laser de cristal fotônico, um laser particularmente promissor não apenas pela sua alta velocidade e dimensões minúsculas, mas principalmente porque ele opera em limites de emissão que não consomem muita energia.
"Nós fabricamos um transmissor óptico de dados em nanoescala, um laser que usa 1.000 vezes menos energia e é 10 vezes mais rápido do que as melhores tecnologias comercialmente disponíveis hoje," diz ela.
"Melhor ainda, nós acreditamos que podemos melhorar esses números," acrescenta.
Laser com bombeamento elétrico
Já existem lasers com baixos limites de emissão, mas eles exigem um segundo laser para injetar a energia que precisam - um fenômeno conhecido como bombeamento.
"Nós realmente precisamos de um laser bombeado com eletricidade, não com luz," diz Jelena. Estes também já foram feitos, mas são ineficientes e não conseguiram atingir a escala comercial.
Agora, pela primeira vez, os pesquisadores criaram um laser com bombeamento elétrico que é fácil de fabricar e de fato consome muito pouca energia.
Nanolaser
O nanolaser é formado por um sanduíche de camadas de dois materiais semicondutores - arseneto de gálio e arseneto de índio - cada uma delas construída por um "canhão" que lança um spray preciso de moléculas.
O sanduíche mede meros 220 nanômetros de espessura - seria preciso empilhar 1.000 deles para atingir a espessura de uma folha de papel.
Depois de pronta, se a pastilha for seccionada, pode-ser ver que o arseneto de índio forma pequenos "montes" - uma estrutura conhecida como pontos quânticos.
Depois de doparem duas regiões específicas com íons de silício e de berílio, para criar o emissor e o receptor do laser, os pesquisadores perfuram a pastilha, criando uma malha cuidadosamente espaçada de furos.
Se os furos forem muito grandes ou pequenos demais, ou se não ficarem no espaçamento correto, o laser não funciona. Isso porque os furos funcionam como uma sala de espelhos, onde a luz ricocheteia de volta para o centro do laser.
Luz no horizonte
Nesta sala de espelhos do nanolaser, os fótons são concentrados e amplificados até formarem o feixe de laser, que pode ser modulado até 100 bilhões de vezes por segundo - 10 vezes mais do que os melhores transmissores ópticos usados hoje.
É essa combinação de "emissão" e "não-emissão" que forma os dados binários - luz ligada representa um 1 e luz desligada representa um 0.
Mas nem tudo está pronto: o nanolaser opera apenas a 150 Kelvin, frio demais para uso prático.
"Com melhorias no processamento," garante Jelena, "nós poderemos construir um laser que opere a temperatura ambiente e mantenha a eficiência energética em torno de 1.000 vezes menos do que as tecnologias atuais. Nós podemos ver a luz no horizonte."
Bibliografia:

Ultralow-threshold electrically pumped quantum-dot photonic-crystal nanocavity laser
Bryan Ellis, Marie A. Mayer, Gary Shambat, Tomas Sarmiento, James Harris, Eugene E. Haller, Jelena Vuckovic
Nature Photonics
Vol.: 5, pages: 297-300 (2011)
DOI: 10.1038/nphoton.2011.51

terça-feira, 17 de maio de 2011

16/05/2011 12h04 - Atualizado em 16/05/2011 12h04

Cientistas descobrem relação entre depressão e DNA

Resultados semelhantes foram obtidos por dois estudos diferentes.
Pesquisadores ainda não conseguiram identificar um gene específico.

Do G1, em São Paulo
Dois estudos distintos chegaram ao mesmo resultado na busca por uma explicação genética para a depressão. Segundo os pesquisadores, o DNA do cromossomo 3 está ligado ao mal. Contudo, eles não conseguiram isolar nenhum gene específico que cause o problema, que afeta cerca de um quinto das pessoas em algum momento da vida.
Os estudos foram feitos separadamente pela Universidade Washington, em Saint Louis, EUA, e pelo King’s College, em Londres, Inglaterra. Os resultados de ambas foram publicadas pelo “American Journal of Psychiatry”.
“O que é impressionante é que os dois grupos encontraram exatamente a mesma região em dois estudos separados”, disse Pamela Madden, da instituição norte-americana. “Estávamos trabalhando independentemente, sem nenhum tipo de colaboração, e quando procuramos uma forma de replicar nossas descobertas, a equipe de Londres entrou em contato e disse: ‘Encontramos a mesma ligação, e isso é significativo’”.
“Pela primeira vez, encontramos uma região genética associada à depressão, e o que faz as descobertas impactantes é a semelhança entre os resultados dos nossos estudos”, afirmou Gerome Breen, autor principal da pesquisa britânica.
Estudos anteriores feitos com famílias já sugeriam que o risco de depressão fosse determinado pela genética. Os pesquisadores acreditam ainda que haja mais genes envolvidos no processo. As novas descobertas não terão impacto imediato para os pacientes, mas ajuda a compreender melhor o que causa o mal, segundo os cientistas.

segunda-feira, 16 de maio de 2011


Átomos individuais podem nunca ter sido vistos

Agostinho Rosa - 16/05/2011
Átomos individuais podem nunca ter sido vistos
Diversas imagens topográficas do silício, feitas por STM, onde os pontos são apresentados como sendo os átomos do material. [Imagem: Chaika/Myagkov/Journal of Physics]
Microscópios capazes de fazerimagens de átomos, e até imagens de átomos neutros, não são nenhuma novidade, e podem ser comprados no comércio.
O público também já se acostumou com imagens como as do lado, geradas pela varredura dos materiais pelas finíssimas pontas desses microscópios eletrônicos.
Mas agora um grupo de cientistas da Espanha e da República Checa afirma que o que se vê nestas imagens não são os átomos - os pontos brilhantes seriam na verdade o espaço entre os átomos, que sequer aparecem na foto.
Microscópios que fotografam átomos
O nascimento da nanotecnologia está intimamente vinculado ao surgimento dos microscópios capazes de gerar imagens em escala atômica.
Os chamados microscópios eletrônicos de varredura por tunelamento (STM - Scanning Tunnelling Microscope) foram os primeiros a atingir uma resolução suficiente para detectar os átomos.
Ora, se há até microscópios no mercado que prometem fazer imagens de átomos, como pode-se agora dizer que o que eles enxergam não são os átomos?
Assunto delicado
Neste ponto, entra em cena um assunto delicado, daqueles sobre os quais dificilmente se fala em público: a "certeza" sobre as observações científicas.
É um assunto sobre o qual a maioria dos cientistas concorda, mas apenas tacitamente - qualquer referência a ele costuma colocar alguns acadêmicos na defensiva, gerando reações muito tenazes.
Desta forma, é melhor não tocar muito no assunto, que passa ainda mais ao largo das "preocupações" do público, que recebe uma visão mais dogmática do que seria a ciência, suas conclusões, suas provas e suas certezas.
Por exemplo, é comum que os cientistas usem termos como "evidências científicas" - coisas que falariam por si sós, independentemente de qualquer interpretação -, ou "comprovação científica", como algo que encerraria de vez um debate qualquer.
Na verdade, tudo o que a ciência coleta são indícios, e todas as conclusões dos cientistas são interpretações de determinados experimentos, nunca palavras finais. É por isso que você vê tantas vezes a palavra "pode" nas manchetes aqui do Site Inovação Tecnológica - "pode ser" é bastante diferente de "é", por mais que os indícios sugiram que seja.
Felizmente é assim, senão, como já temos teorias para quase tudo, chegaríamos à insensata conclusão de que sabemos tudo - o que seria a morte da própria Ciência enquanto instituição.
Realidade, teorias e modelos
Que não se vá ao extremo oposto, propondo que nada do que a Ciência propõe seja válido ou substancial - por observação direta podemos ver o contrário. Mas não é razoável permanecer em um extremo só pelo risco de cair no outro - destacando mais uma vez que estamos levantando peculiaridades do processo de "comunicação da ciência", não do método científico.
Senão, vejamos: Os experimentos permitem a elaboração de teorias, e as teorias levam à construção de modelos, que são geralmente usados para descrever comportamentos e propriedades ou para prever eventos.
A teoria nunca equivale à realidade, é apenas uma interpretação dela. E o modelo quase nunca consegue abarcar toda a teoria.
Átomos individuais podem nunca ter sido vistos
Por exemplo, a Teoria da Relatividade, adequadamente restringida por várias simplificações úteis, levou ao modelo do Big Bang. Embora a maioria dos cientistas e a imprensa em peso fale do Big Bang como se ele fora um "fato histórico", sua conexão com a realidade é muito tênue - essa conexão é mediada por uma série de pressupostos, conjecturas e simplificações.
Obviamente, modelos e teorias não sobrevivem muito se não tiverem um bom poder explicativo - uma capacidade de explicar os fenômenos observados. Assim, modelos que sobrevivem são muito bons, provavelmente fundamentados em teorias excelentes - é o que acontece com o modelo do Big Bang e com a Teoria da Relatividade.
Mas isto não quer dizer que tais explicações durarão para sempre - de fato, pode-se dizer, com altíssimo índice de probabilidade de acerto, que elas não durarão por muito tempo da forma como estão hoje.
Mitos científicos
No mundo da física clássica, onde maçãs caem, ímãs atraem ferro e combustíveis queimam, a leitura do indício coletado no experimento se aproxima dos sentidos humanos - as leis da termodinâmica estão aí para exemplificar isto. Então, nesse nível, as teorias são propostas com maior nível de "aderência" ao real.
Talvez esteja aí a origem da mitologia das observações inquestionáveis, das conclusões definitivas e, finalmente, da ciência conclusiva e infalível.
Se, nesse nível, tais mitos já são questionáveis, tudo se complica quando o fenômeno a ser estudado se afasta dos sentidos humanos, seja em dimensões, seja em velocidade ou em qualquer outro aspecto.
Nesse caso, o cientista precisa construir equipamentos para fazer os experimentos. Esses equipamentos, contudo, são feitos segundo interpretações da realidade - só se constrói um microscópio para ver átomos depois que se aceita que átomos existem, e só se constrói os sensores capazes de detectar os átomos depois que se elaboraram teorias sobre o que se pode detectar em um átomo, e assim por diante.
Logo, qualquer que seja o resultado do experimento, e as conclusões que se tira dele, esse experimento tem, em sua sequência de execução, uma equivalente sequência de "intermediários", eivados de interpretações.
Nos complicados laboratórios modernos, com seus sensores e medidores ultra-sofisticados, existem várias "camadas" de interpretação, embutidas nas inúmeras peças que compõem esses equipamentos cada vez mais complexos.
É por isso que a usual referência a evidências, provas e certezas, como comumente se lê e se ouve, é algo tão distante da realidade daquilo que os cientistas realmente fazem.
Microscópios que não enxergam átomos
Átomos individuais podem nunca ter sido vistosÉ isto o que agora é ilustrado pelo caso dos microscópios eletrônicos e das imagens que eles geram dos átomos.
Na verdade, mesmo antes do questionamento agora publicado, os cientistas já sabiam que essas imagens não são realmente imagens dos átomos, no sentido que se fala da fotografia de uma bola de gude, por exemplo.
Um microscópio de tunelamento por varredura usa uma minúscula ponta eletrificada, eventualmente com apenas um átomo em sua extremidade, que é passada, a uma pequena distância, sobre toda a extensão da amostra a ser observada.
A imagem é gerada medindo a corrente dos elétrons que tunelam entre a ponta do microscópio e a superfície da amostra.
Assim, o que a imagem mostra seriam, na verdade, variações espaciais na densidade do estado de elétrons da superfície da amostra próximas ao nível de Fermi - o nível de energia dos elétrons mais fracamente mantidos em um sólido.
Contudo, como a densidade dos estados nem sempre é o mais alto quando a ponta está diretamente acima dos átomos, não é possível saber com absoluta certeza se aqueles pontos brilhantes que aparecem nas imagens geradas pelo STM correspondem aos átomos ou ao espaço entre eles.
Primeiros princípios
Nesse caso, pode-se argumentar, que seria simplesmente uma questão se saber se estamos vendo uma imagem dos átomos ou um negativo da imagem dos átomos.
Infelizmente não é tão simples.
Ocorre que as imagens geradas são totalmente diferentes dependendo da estrutura e da composição da ponta do microscópio - no sentido discutido acima, a ponta individualmente representa uma "camada" de interpretação embutida na interpretação mais geral do resultado do experimento, ou seja, da imagem.
Assim, os cientistas precisam conhecer com detalhes e com precisão as forças químicas e físicas presentes e atuantes entre a ponta e a superfície - e lá vai outra camada de interpretação, melindrando quaisquer pretensões de certeza.
O que os cientistas fizeram agora foi tentar partir da situação mais simples possível, realizando os chamados cálculos de primeiros princípios, quando se parte de propriedades mais fundamentais e que podem ser certificadas com maior acurácia - sem nenhuma "certeza", obviamente.
Espaços, e não átomos
Átomos individuais podem nunca ter sido vistos
Usando nanotubos de carbono e grafite, e uma ponta específica de microscópio, os pesquisadores concluíram que os pontos brilhantes que aparecem nas imagens geradas pelo microscópio de varredura por tunelamento correspondem aos espaços vazios entre os átomos, e não aos próprios átomos.
A diferença não é pequena, e pode impactar resultados de inúmeras pesquisas.
Por exemplo, o estudo de defeitos nografeno e em filmes finos, as promissoras interfaces entre materiais, que já são estudadas e exploradas em nível atômico, e até no campo dossemicondutores, cuja miniaturização constante exige que se trabalhe em escalas cada vez menores.
A pergunta que se coloca então é: os átomos individuais já foram de fato "vistos"?
Se esta nova interpretação estiver correta, a resposta é não: os átomos estariam nos espaços vazios entre os pontos brilhantes.
Como eles aparecerão numa futura imagem irá depender da avaliação dos diversos tipos de pontas usadas nos microscópios e dos softwares que traduzem as leituras do sensor em imagens mostradas na tela do computador - pontas que terão que ser refeitas com exigências mais estritas e softwares que terão de ser atualizados.
Outra pergunta a ser respondida é por que os espaços vazios aparecem como pontos.
Ou, outra possibilidade plausível, esperamos até que outra equipe de cientistas encontre falhas na demonstração agora publicada e diga para esquecermos este episódio e que, sim, já estávamos vendo os átomos individuais desde o início.
Bibliografia:

Forces and Currents in Carbon Nanostructures: Are We Imaging Atoms?
Martin Ondrácek, Pablo Pou, Vít Rozsíval, Cesar González, Pavel Jelínek, Rubén Pérez2
Physical Review Letters
Vol.: 106, 176101 (2011)
DOI: 10.1103/PhysRevLett.106.176101

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Fotossíntese artificial: proteção atômica protege célula fotoeletroquímica

Fotossíntese artificial: avanço na geração de hidrogênio por energia solar

Redação do Site Inovação Tecnológica - 11/05/2011
Células fotoeletroquímicas
Da mesma forma que as plantas usam a fotossíntese para transformar a luz solar em energia, as células solares fotoeletroquímicas usam a luz solar para induzir reações químicas que, em última análise geram hidrogênio a partir da água.
Ainda em estágio inicial de desenvolvimento, essa tecnologia é promissora porque permite uma geração de energia absolutamente limpa: a energia solar é usada para produzir o hidrogênio, que por sua vez pode ser consumido em células a combustível, cujo único subproduto é a água, para gerar eletricidade.
Também conhecidas comocélulas de Gratzel, as células fotoeletroquímicas usam um material semicondutor sensível à luz, como o óxido de cobre, para fornecer a corrente necessária para alimentar a reação.
Embora seja barato e largamente disponível, o óxido de cobre é instável quando exposto à luz na água.
Revestimento salvador
Adriana Paracchino e Elias Thimsen, membros da equipe do Dr. Michael Gratzel, idealizador da tecnologia, descobriram que o problema da instabilidade do cobre pode ser resolvido revestindo os semicondutores com uma fina película com poucos átomos de espessura.
Esse revestimento pode ser criado usando uma técnica, já usada industrialmente, chamada como deposição de camadas atômicas (ALD: Atomic Layer Deposition). A precisão dessa técnica é tamanha que a espessura da camada pode ser controlada com precisão de um átomo.
Com isto, o óxido cuproso é protegido de forma muito eficaz contra o contato com a água, tornando possível usá-lo como o semicondutor da célula fotoeletroquímica.
Deficiência
As vantagens dessa ação salvadora são muitas: o óxido de cobre é abundante e barato, a camada de proteção é completamente impermeável, independentemente da rugosidade da superfície, e o processo pode ser facilmente expandido para escala industrial.
O revestimento é formado por duas camadas superpostas, uma de óxido de zinco e outra de óxido de titânio, que mantêm a eficiência da célula na produção de hidrogênio - no atual estágio, essa "eficiência" ainda é bastante baixa.
O próximo passo da pesquisa será otimizar as propriedades elétricas da camada protetora, na tentativa de aumentar a eficiência geral da célula.
Bibliografia:

Highly active oxide photocathode for photoelectrochemical water reduction
Adriana Paracchino, Vincent Laporte, Kevin Sivula, Michael Grätzel, Elijah Thimsen
Nature Materials
08 May 2011
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nmat3017


A nova célula fotoeletroquímica, mais durável, produz hidrogênio da partir da luz do Sol - o hidrogênio é visto na forma de bolhas que sobem pelo reservatório de água. [Imagem: Paracchino et al./Nature Materials]

terça-feira, 10 de maio de 2011

Simulação reforça teoria abiogênica do petróleo

Redação do Site Inovação Tecnológica - 10/05/2011
Simulação reforça teoria abiogênica do petróleo
Determinar as propriedades termoquímicas das moléculas de hidrocarbonos é importante para entender a formação dos reservatórios de petróleo e gás natural e o fluxo de carbono na Terra.[Imagem: Eric Schwegler/LLNL]
Petróleo abiogênico
A teoria que tenta explicar a gênese do petróleo, do carvão e do gás natural é tão aceita que esses derivados do carbono se tornaram sinônimos de "combustíveis fósseis."
Os combustíveis são reais, e estão na base da economia do mundo moderno. Mas o termo "fóssil" vem da teoria.
Uma teoria que propõe que organismos vivos morreram, foram soterrados, comprimidos e aquecidos sob pesadas camadas de sedimentos na crosta terrestre, onde sofreram transformações químicas, até originar o petróleo e seus primos.
Há tempo, geólogos vêm contestando essa teoria e propondo uma origem abiótica para o petróleo, ou seja, uma teoria que propõe que o petróleo não é fóssil.
Agora, esses defensores da teoria abiótica ganharam mais um argumento.
Hidrocarbonos de origem geológica
Giulia Galli e seus colegas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, demonstraram que as longas cadeias de hidrocarbonos podem se formar no interior da Terra a partir do hidrocarbono mais simples possível - a molécula de metano.
As moléculas de hidrocarbono são o bloco fundamental que forma o petróleo e o gás natural.
Giulia defende que os hidrocarbonos abiogênicos, de origem puramente geológica, podem se formar nas condições adequadas de temperatura e pressão encontradas no manto superior da Terra.
"Nossas simulações mostram que as moléculas de metano podem se combinar para formar moléculas de grandes hidrocarbonos quando expostas às pressões e temperaturas muito altas do manto superior da Terra," diz ela.
Simulação reforça teoria abiogênica do petróleo
Diversos estudos práticos, usando bigornas de diamante e explosivos, têm proposto condições de temperatura e pressão nas quais o petróleo pode se formar sem a participação de fósseis. [Imagem: Spanu et al./Pnas]
Onde nascem os hidrocarbonos complexos
Os pesquisadores usaram técnicas sofisticadas, baseadas em primeiros princípios - as propriedades fundamentais dos átomos de carbono e hidrogênio - para simular o comportamento desses átomos sob as pressões e temperaturas encontradas entre 65 e 150 quilômetros de profundidade.
O estudo mostrou que hidrocarbonos com múltiplos átomos de carbono podem se formar a partir do metano, uma molécula com apenas um átomo de carbono e quatro átomos de hidrogênio.
Isso pode ocorrer em temperaturas maiores do que 1.500 K e pressões a partir de 50.000 vezes a pressão atmosférica - essas condições são encontradas a partir de 110 quilômetros de profundidade.
"Na simulação, interações com superfícies de carbono e metal permitiram que o processo ocorra com maior velocidade; elas funcionam como catalisadores," afirma Leonardo Spanu, coautor do estudo.
Teorias
O estudo não conclui que o petróleo e o gás natural se formam nesse ponto, uma vez que as condições reais dessas regiões não estão acessíveis à observação direta e, portanto, não são totalmente conhecidas.
O estudo demonstra que as condições do manto superior são adequadas para que as moléculas de metano formem hidrocarbonos longos.
Outro detalhe a ser analisado pelos defensores da teoria do petróleo abiótico seria explicar o mecanismo que faz com que esses hidrocarbonos migrem para mais perto da superfície, onde são encontrados os depósitos de petróleo e gás natural.
Por outro lado, dados coletados em poços de petróleo exauridos na Arábia Saudita são condizentes com uma hipótese de que esses poços estão novamente se enchendo de baixo para cima.
A pesquisa foi financiada pela Shell.
Bibliografia:

Stability of hydrocarbons at deep Earth pressures and temperatures
Leonardo Spanu, Davide Donadio, Detlef Hohl, Eric Schwegler, Giulia Galli
Proceedings of the National Academy of Sciences
April 26, 2011
Vol.: 108 (17) 6843-6846
DOI: 10.1073/pnas.1014804108

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Mariposa inspira nanotecnologia para estudar Mal de Alzheimer

Redação do Site Inovação Tecnológica - 09/05/2011
Antena de mariposa inspira nanotecnologia para estudar Mal de Alzheimer
O revestimento dos nanotúneis existentes na antena da mariposa da seda serviu de inspiração para a criação de nanoporos sintéticos que funcionam como minúsculos instrumentos de medição.[Imagem: Chris Burke]
Imitando a estrutura das antenas da mariposa da seda, pesquisadores desenvolveram um nanoporo que irá ajudar a lidar com uma classe de doenças neurodegenerativas que inclui o Mal de Alzheimer.
Nanoporos
A minúscula ferramenta em forma de túnel - tecnicamente chamada de nanoporo - foi desenvolvida por uma equipe coordenada por cientistas da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.
Os nanoporos são essencialmente furos muito pequenos e muito precisos, feitos em uma pastilha de silício. Eles funcionam como minúsculos dispositivos de medição, que permitem o estudo de moléculas individuais e proteínas conforme estas passam através deles.
Mesmos os melhores nanoporos construídos hoje entopem facilmente, o que tem impedido que a tecnologia cumpra todo o seu potencial - os cientistas esperam que os nanoporos permitam a construção de uma nova geração de equipamentos de sequenciamento de DNA mais rápidos e mais baratos, apenas para citar um exemplo.
Biomimetismo
A equipe foi buscar na natureza a inspiração para resolver essas limitações.
A solução veio na forma de uma cobertura oleosa que reveste o nanoporo. O revestimento captura e conduz a molécula de interesse suavemente através do nanoporo, sem causar entupimento.
O revestimento também permite que os pesquisadores ajustem a espessura do nanoporo com uma precisão próxima ao nível atômico.
"Isso nos dá uma ferramenta muito melhor para a caracterização das biomoléculas," disse Michael Mayer, coautor do estudo.
"O nanoporo nos permite obter dados sobre o seu tamanho, carga, forma, concentração e a velocidade com que se montam. Isto poderá nos ajudar a entender, e possivelmente diagnosticar, o que sai errado em uma categoria de doenças neurodegenerativas que inclui Parkinson, Huntington e Alzheimer," explica o cientista.
Antena de mariposa inspira nanotecnologia para estudar Mal de Alzheimer
O revestimento oleoso melhora a funcionalidade dos nanoporos, que se transformam em dispositivos de medição muito sensíveis, capazes de avaliar moléculas individuais. [Imagem: Chris Burke]
Antenas da mariposa da seda
A "bicamada lipídica fluida" foi inspirada em um revestimento que recobre as antenas da mariposa da seda do sexo masculino, que ajuda o animal a detectar o cheiro das mariposas fêmeas que se encontram nas proximidades.
O revestimento captura as moléculas de feromônio no ar e as transporta através de nanocanais no exoesqueleto até as células nervosas, que enviam uma mensagem ao cérebro do inseto.
"Estes feromônios são lipofílicos. Eles tendem a se ligar a lipídios, materiais semelhantes à gordura. Assim, eles ficam presos e se concentram na superfície desta camada lipídica da mariposa da seda. A camada lubrifica o movimento dos feromônios para que eles cheguem onde são necessários. Nosso novo revestimento tem a mesma finalidade," explica Mayer.
Peptídeos beta-amiloide
Uma das principais linhas de pesquisa do grupo é o estudo de proteínas chamadas peptídeos beta-amiloide, que os cientistas acreditam se coagule em fibras que afetam o cérebro no Mal de Alzheimer.
Eles estão interessados em estudar o tamanho e a forma destas fibras, e como exatamente elas se formam.
Para usar os nanoporos em experimentos, os pesquisadores colocam a pastilha perfurada entre duas câmaras de água salgada, uma das quais contém as moléculas a serem estudadas. A seguir, uma corrente elétrica é aplicada entre as câmaras, criando um movimento iônico que força as moléculas a passarem através dos nanoporos.
Conforme a molécula ou proteína atravessa o nanoporo, ela altera a resistência elétrica do poro. A mudança observada dá aos pesquisadores informações valiosas sobre o tamanho da molécula, sua carga elétrica e sua forma.
Bibliografia:

Controlling protein translocation through nanopores with bio-inspired fluid walls
Erik C. Yusko, Jay M. Johnson, Sheereen Majd, Panchika Prangkio, Ryan C. Rollings, Jiali Li, Jerry Yang, Michael Mayer
Nature Nanotechnology
Vol.: 6, Pages: 253-260 (2011)
DOI: 10.1038/nnano.2011.12